Entendendo a Esquizofrenia

A esquizofrenia é considerada uma doença e está classificada entre os transtornos mentais. A pessoa com esquizofrenia apresenta alguns comportamentos e sintomas que normalmente têm início na adolescência.

 

Antes mesmo de apresentar alguns dos sintomas característicos deste transtorno, a pessoa revela pistas de que algo “estranho” está lhe ocorrendo, pois ela passa a experimentar a realidade de forma diferente, o que acaba lhe causando significativos conflitos nos relacionamentos.

 

O período que antecede o aparecimento dos sintomas da esquizofrenia é chamado de pródromo. Nele, a pessoa vai alterando gradativamente sua maneira de perceber o mundo e a sua volta, bem como o relacionamento com os outros.

 

Por vivenciar uma realidade de maneira diferente dos outros, a pessoa com esquizofrenia normalmente se isola, seu comportamento começa a ficar diferente, não se comunica como antes com amigos e familiares, o que o faz sentir-se uma pessoa solitária. Geralmente estas mudanças são desencadeadas por alguma dificuldade de superação de conflitos.

 

As pessoas que têm predisposição para a doença (esquizofrenia) apresentam maior vulnerabilidade ao estresse e às decepções ante a vida, e quando elas acontecem são os elementos disparadores do processo que desencadeia os sintomas da esquizofrenia.

 

Principais sintomas da Esquizofrenia

Alucinações auditivas

 

A percepção auditiva da pessoa com esquizofrenia se altera gradativamente. Sons que antes podiam ser considerados naturais se tornam relevantes para a pessoa. Por exemplo, barulhos estranhos na parede do quarto podem ser entendidos como insulto de algum vizinho.  Esse processo vai se intensificando e promovendo mudanças na forma de pensar e a pessoa passa a ouvir vozes. Vozes que conversam entre si sobre o seu comportamento, vozes que o elogiam, que o dão ordens, etc. Essas vozes não são apenas uma experiência auditiva, mas acontecem num contexto complexo onde emoções e pensamentos se misturam às percepções sensoriais.

 

Alucinações visuais

 

Da mesma maneira que a percepção auditiva, a percepção visual da pessoa com esquizofrenia sofre alterações. As cores, a percepção de contorno das coisas e os movimentos das pessoas se apresentam de uma forma mais intensa. Elementos visuais que normalmente eram despercebidos ganham um sentido especial. Certas sombras são percebidas como presença de pessoas, formas transparentes no céu configuram como imagens de rostos ou lugares, etc.

 

Alucinações olfativas e gustativas

 

Cheiro e gosto dos alimentos são sentidos pela pessoa com esquizofrenia de forma diferente, além de possuir um significado muito difícil para as pessoas com as quais convivem compreender. Ao mesmo tempo em que começam a perceber o mundo de outra maneira através das alucinações, também vão construindo explicações para essas vivências, passando a ter pensamentos e certezas muito incomuns.

 

Delírio de referência

 

Crença de que o que as pessoas falam e fazem tem relação direta com a pessoa com esquizofrenia, de forma que tudo o que acontece ao seu redor é entendido como parte de sua experiência.

 

Delírios de grandeza

 

Através dos delírios auditivos, as vozes podem dizer à pessoa com esquizofrenia que ela tem poderes especiais e que tem a missão de mudar o mundo. Desta forma, ela acredita que tudo o que está ao seu redor acontece em função dela.

 

Delírio de culpa

 

As mesmas vozes que dizem coisas agradáveis como os grandes poderes especiais, podem julgar a pessoa como incapaz de utilizar seus poderes para evitar as coisas ruins que acontecem no mundo, como os crimes, as guerras, as catástrofes, etc. No início estas percepções diferentes dos sentidos são compreendidas como uma habilidade especial, como capacidades “paranormais”, porém com o passar do tempo essas vivencias passam de sedutoras a assustadoras, marcadas por ideias de perseguição.

 

Delírios persecutórios

 

A pessoa com esquizofrenia em alguns casos apresenta uma certeza inquestionável de que esta sendo filmada, vigiada, e que existe um complô contra ela em função dos poderes que possui. Muitas vezes crê que a própria família está contra os seus “poderes”, querendo prejudicá-la. Diante dos delírios persecutórios, a pessoa se sente acuada e ameaçada por todos os lados.

 

Desorganização ou desagregação do pensamento

 

As experiências de delírio e alucinações causam grande confusão no pensamento e percepção das pessoas com esquizofrenia, o que pode ser percebido através na maneira como se comunicam como entendem o que as pessoas falam e como conversam com elas. O pensamento se apresenta desorganizado e desagregado da realidade externa. As percepções, sentimentos e pensamento só fazem sentido para a pessoa. Embotamento afetivo Da mesma maneira como a pessoa com esquizofrenia percebe o mundo a sua volta de forma diferente e seus pensamentos mudam, a maneira como se expressa suas emoções também se modifica. Normalmente sentem dificuldade em expressar seus sentimentos e em perceber os sentimentos das outras pessoas. Parecem insensíveis ao mundo ao redor. O embotamento afetivo faz parte das vivências muito sofridas para as pessoas que têm esquizofrenia, e não conseguir expressar esse sofrimento leva a um isolamento ainda maior.

 

Atribuir significado as percepções diferenciadas e sentir que as coisas que acontecem e as atitudes das pessoas realmente se relacionam a ela é uma experiência muito difícil para a pessoa com esquizofrenia. A forma de dar sentido para ela a essas percepções é através de pensamentos que a justifiquem. Seus pensamentos às vezes se confundem de maneira a não conseguir interpretar o que as pessoas lhe falam. Ao mesmo tempo, as percepções dos sentidos apresentam uma realidade completamente diferente, marcada por sensações também diferentes.

 

As percepções visuais e os sons são percebidos de maneira intensa, odores e gostos não são mais os mesmos e o comportamento muda: a pessoa passa a ter atitudes que fazem sentido para ela, mas que para os outros são bem “estranhas”. O aparecimento destes sintomas marca um período de crise no processo da esquizofrenia, conhecido como episódio psicótico agudo.

 

A esquizofrenia é uma psicose, um transtorno que afeta o cérebro e dificulta o convívio social da pessoa que a tem. Pode ser apresentar como uma doença grave que desorienta tanto a pessoa quanto sua família. É importante procurar ajuda e não sentir vergonha por ter esquizofrenia ou ser familiar de uma pessoa que a tem.

 

A esquizofrenia não é uma doença que ser resolve naturalmente apenas tomando a medicação prescrita; sua recuperação se dá em um caminho de construção interior tanto da pessoa como dos familiares. Os remédios são fundamentais para que a pessoa tenha a possibilidade de recuperação, por isso se faz necessária a busca de ajuda a um médico psiquiatra. Também é fundamental a ajuda psicológica que ajuda a pessoa e seus familiares a redesenharem seus caminhos no sentido de adquirir uma vida com qualidade.